sexta-feira, dezembro 23, 2011

CHRONOS E A ORQUÍDEA










Ao longe, avistei tua face de pouca beleza...
eras absolutamente linda para mim !

O chão te agradecia as pisadas,
em cujas feridas, brotavam orquídeas.

A quis só para mim, e haverias de ser...

O tempo por deus me tinha,
estavas ligada a mim, mas tua inocência
não sabia.

Teus dias seriam meus, em cada ínfimo segundo,
não tinhas como escapar, salvo o deus da Morte
te desejasse também, mas isso nos levaria á duelo,
por ti, afinal, deuses também tem caprichos...

Sem ciência, brincavas nos Jardins do Éden,  julgando-te
inalcansável,
-pura soberba tua !

Eu podia ver-te , e estava em ti, porém, não a possuía ainda,
afinal, não me fazias caso, desconhecias minha existência
em tua tão plena juventude.

Assim, recorri a meu deus Supremo, e requeri
tua posse, antes que outro a desejasse.
Este, não me negou.

Fiz em ti exaustão,e quando adormecestes deitei-me sobre teu corpo
e enlouqueci em tua carne...
enfim me conhecias agora!
Pensarias no entanto, ter pousado em sonhos,
mas não foi, e eu sabia,

Te amando, esqueci-me no momento,
e tua juventude se foi,
tua face de pouca beleza estava fria agora,
havias te apartado de mim e não percebi, enquanto te amava...

Não houve o duelo, apenas meu capricho se descuidou e outro
deus agora te possuía...

Sem poder para transitar em outros mundos,
dou voltas em várias voltas.
- Pelos caminhos do universo, onde andarás?
em que jardim estarão teus pés plantando orquídeas?

Tenhas a glória de ter ferido a um deus,
amor de face de pouca beleza,

Vejo-me agora um velho, que retorna ao Jardim de antes
para colher tuas pisadas ...

S.Cal

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